domingo, 18 de março de 2012
O imaginário da Proclamação da República
A ESTADANIA DE JOSÉ MURILO DE CARVALHO
Felipe Aragão
Após o debate sobre o primeiro capitulo do livro Formação das Almas, José Murilo de Carvalho, em uma rápida conversa com a Professora IsabelGuillen chegamos num consenso de que o termo estadania usado pelo autor não ficou muito claro. Pois bem, a partir de um artigo publicado no Jornal do Brasil vou comentar e tentar esclarecer mais sobre o que a palavra estadania quer dizer.
Para o autor, Estadania, palavra que ele criou, seria um processo de formação criado de cima para baixo, ou seja, a partir do Estado e grupos dominantes. “Exemplo de cidadania construída de cima para baixo pode ser encontrado na Alemanha. Nesse país, a partir do século XIX, o Estado foi incorporando aos poucos os cidadãos à medida em que abria o guarda-chuva de direitos”. Diferentemente, da Cidadania que tem efetiva partição popular na construção histórica, por exemplo, A guerra de independência dos Estados Unidos ou a Revolução Francesa.
O Brasil, segundo o autor, enquadra-se melhor no modelo de estadania, pois, nenhum dos acontecimentos históricos, como, independência, proclamação da República teriam sido feitas sem a revolução social e política. Isso seria importante para entender a desigualdade social e corrupção existentes, por não se ter uma incorporação à sociedade civil e por um forte espírito de capitalismo, onde as chances de enriquecimento ficam restritas a pequenos grupos dominantes. “Não é um poder público garantidor dos direitos de todos, mas uma presa de grupos econômicos e cidadãos que com ele tecem uma complexa rede clientelista de distribuição particularista de bens públicos.”
A falta de identidade nacional, também é um fator que conta para que esta estadania esteja presente nos dias atuais. Segundo o autor, há uma maior preocupação entre as classes pobres no direito de consumir do que na participação ao direito constitucional. Assim, José Murilo de Carvalho, coloca: “Não poderemos construir uma cidadania, leia-se democracia, sólida sem dar maior embasamento social ao político, isto é, sem democratizar o poder.” Portanto, podemos observar que a partir dessa estadania, termo utilizado pelo autor, o rumo do país estando restrito a um grupo dominante e sem a participação popular não pode gerar bons resultados e continua a fomentar desigualdades, corrupção e contribuindo para o não desenvolvimento da nação.
“A desigualdade é a escravidão de hoje, o novo câncer que impede a finalização do processo de construção da cidadania e da democracia.”
Para quem se interessar em ler o artigo completo, segue o link:
http://www.ifcs.ufrj.br/~ppghis/pdf/carvalho_cidadania_estadania.pdf
CARVALHO, José Murilo de. Publicado no Jornal do Brasil em 24/06/2001, p.8
O conceito de Cultura Política: a mitificação de Tiradentes
A Desmistificação da Proclamação da República
Isabela Dias
Quando se fala na Proclamação da República a primeira imagem que o senso comum associa é a do Marechal Deodoro como fundador da república brasileira. Esta imagem é representada no óleo de Henrique Bernadelli onde o marechal encontra-se no centro da imagem montado a cavalo. Esta imagem segundo José Murilo de Carvalho “é a exaltação do grande homem vitorioso, fazedor da história”. ¹ Esta observação leva-nos a questionar acerca da veracidade dos fatos, pois Deodoro não foi o único indicado para o título de fundador da república, Benjamim Constant e Bocaiúva também o foi.
A Proclamação da República é um desses eventos que precisam ser desnaturalizados e analisados de forma a apresentar as pessoas uma interpretação mais próxima da realidade. Diante disso, podemos discorrer acerca dos fatores que contribuíram para a formação do cenário propício para a república durante o período imperial, ou seja, o evento de 15 de novembro não foi apenas um grito de viva, isto é posto por José Murilo de Carvalho como ponto irrelevante quando se trata sobre a proclamação.²
Um dos pontos importantes que levaram a proclamação foi à indignação da elite monocultora e escravista com a abolição da escravidão, pois a política imperial não estava atendendo mais as demandas dos fazendeiros causando uma estabilidade econômica. Além disso, a monarquia não soube solucionar a situação social dos negros, a forma republicana de governo se mostrou significativa para a solução citada, pois a ideologia republicana pregava a igualdade, dessa forma não existiriam diferenças entre os ex-escravos e os brancos. Contudo, isto ficou apenas no campo jurídico. O contato dos militares com a forma republicana nos demais países da América latina e o gosto de vitória trazido por eles da Guerra do Paraguai também contribuíram para a disseminação das idéias republicanas. Essas idéias se alicerçavam numa busca por posição de maior prestígio e poder do Exército dada à vitória da referida guerra. Esta era uma proposta de República Militar.
Havia três correntes que lutavam pela implantação da república no Brasil cada uma com sua essência e a República Militar era uma delas. Mas, o que vale ressaltar é que a proposta republicana daqueles que venceram contradiz com o que foi implantado. A proposta de uma maior representatividade dos cidadãos na vida política do país não foi efetivada visto que foi pensada pela elite, excluindo a maioria da cidadania. A participação do povo na consolidação da república foi praticamente nula e sua participação na organização do novo governo de igual valor, o que percebemos é a eficácia da coesão de interesses das oligarquias que antes estavam intimamente ligadas com o império e a junção com uma parte da burguesia para a formação do novo regime. Ou seja, a forma de governar mudou, mas a luta pela prevalência dos interesses da minoria continuou.
Dentro desse cenário, não devemos esquecer de discorrermos acerca da Batalha de Símbolos para a legitimação da nova organização social e política do Brasil. É preciso desmistificar os heróis que são atribuídos ao fato, pois a luta para apresentá-los com tal cargo está imbuída de ideologias e interesses políticos, pois os heróis são “instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos”. ³ Podemos citar como exemplo a figura de Tiradentes como herói nacional. Este herói foi criado com a intenção de apagar da memória das pessoas a importância dada a D. Pedro I pela independência do Brasil, a imagem de Tiradentes está associada ao mártir da liberdade, da independência e da república, um mártir sacrificado como Jesus Cristo.Numa sociedade predominantemente cristã esta associação foi bem recebida. A criação de monumentos, festas cívicas, gravuras, telas são formas que os grupos vitoriosos encontram para a construção histórica a qual é mediada pela política para popularizar, legitimar e selar na memória do povo a origem da proclamação a qual está imbuída de ideologias e interesses políticos como já foi citado.
Diante disso, é papel do historiador desnaturalizar os fatos que são apresentados como verdades históricas, é preciso fugir do senso comum e das interpretações impostas por aqueles que pretendem gravar na memória das pessoas aquilo que é interessante para a legitimação política, social e econômica que regem a sociedade e que em sua grande maioria estão de comum acordo com os grupos sociais favorecidos.
Notas
1. CARVALHO, José Murilo. A Formação das Almas: o imaginário da república do Brasil, pág. 40.
2. Idem, pág.36.
3. Idem, pág.55.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Cultura política e historiografia no Brasil
GOMES, Angela de Castro. História, historiografia e cultura política no Brasil: algumas reflexões. IN: SOIHET, Rachel . Culturas políticas. Ensaios de história cultural, história política e ensino de história. Rio de Janeiro, MAUAD, 2005, p. 21-41
segunda-feira, 5 de março de 2012
Corrupção no Brasil: Crime ou Costume?

Segue o link do artigo para uma melhor leitura:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/o-eterno-retorno.
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